lambuso-me com tudo o que é belo,
nesse mundo sou criança que se abasta a todo contento!
(Sávio)
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
na raridade do que é belo - Sávio
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
A formiga e a pedra - Sávio
Quem dera todos os mares fossem calmos,
os gregos teriam nos descoberto antes de cristo!
à você eu não teria chegado,
Avulso no mundo seria pela calma,
afetado comigo mesmo talvez estivesse sempre,
preso no convulso do nada.
Mas os mares são tortuosos,
meu coração bate em resposta à onda imensa que se empenha contra mim,
e meus olhos arregalados seguram qualquer coisa onde me apoiar.
Que venha onda imensa!
e somente no fundo do mar estarei contido!
pelo contrário avanço sempre,
existe uma América nova a ser descoberta!
(Sávio)
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Do frio - Vergílio Ferreira
Pelo espaço azul do céu já frio. Mas é possível que não. Na realidade, bebo e a cerveja está certa com uma sede que só havendo calor. O que há é outra coisa. O que há é esta constrição de nós, este aperto, esta aflição. O sol desce. Já o tinha dito. Tenho de o dizer mais vezes à medida que for descendo. À medida que desce, o que está no extremo do horizonte fica para cá do extremo. A gente estende-se toda no olhar. É perigoso. A gente desfaz-se em ausência. Esta constrição. Este aperto. A ilusão do frio vem daí...
Vergílio Ferreira in 'Nítido Nulo'
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Algo pra comentar - Sávio
O encontro com a adversidade é subitamente interessante. Esse encontro nos diz antes de qualquer argumento que pudéssemos usar: a vida é maior do que você.
(Sávio)
domingo, 6 de setembro de 2009
Sound Of Silence - Paul Simon
Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.
In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'Neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence.
And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence.
"Fools" said I, "You do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you."
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence
And the people bowed and prayed
To the neon god they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the sign said, "The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls."
And whisper'd in the sounds of silence.
Paul Simon
Youtube:
sábado, 5 de setembro de 2009
A revolta pelo ato - Vergílio Ferreira
"E às três da madrugada, estamos todos de relógio em punho, uma mão invisível deu o sinal - e a revolução começou. Pelo ardor humano da justiça, pela cólera pelo insuportável do sonho, pelo gosto de mexer, pelo desejo de estar a horas à passagem da História, pelo prazer de também ficar no retrato comemorativo, por não haver nada que fazer, pela chatice da vida, pela necessidade de tomar banho e não cheirar mal, por se querer aproveitar a esperança enquanto ainda está limpa, sem comentário das moscas, pelo gosto de mudar de fato e de camisa e talvez mesmo de cuecas, por uma cerca macaqueação da divindade criadora, pela alegria de reinventar a manhã quando o dia já vai adiando, por um certo excesso de energia disponível, pela força da fé, pelo remorso, porque sim - a revolução começou. Era uma noite de inverno, geométrica, nua. Limpa."
Vergílio Ferreira, in 'Nítido Nulo'
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Sobre um de nossos humanismos - Alceu Amoroso Lima
Texto escrito por Alceu Amoroso em no meio do século XX (no auge da União Soviética e com filósofos humanistas importantes vivos como Sartre)
"O humanismo marxista está condenado a êste dilema: para manter a ordem, precisa suprimir a liberdade, como neste momento o faz a sua caricatura staliniana. Se restitui ao homem a liberdade, a ordem não tardará a perigar, já que ele, que nessa filosofia não reconhece outros limites senão os sociais, logo compreenderá o contraste entre a coação absoluta da estrutura social, à qual está submetido como um objeto, e as exigências naturais da liberdade. Em face dessa ameaça à ordem, será a liberdade de novo sacrificada. E desse círculo vicioso não sairá jamais o humanismo inumano do marxismo."
Alceu Amoroso Lima, in 'O Existencialismo e outros mitos do nosso tempo'
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Uma resposta - Sávio
O que eu sinto e penso quando caminho pelas ruas, é um resumo do que sinto e penso quando caminho pela vida toda. Eu carrego uma carga de tentativas, não sinto antes tamanha convicção como sentia na infância, quando os dragões das histórias eram vencidos na minha imaginação e eu só, dentro do quarto. O que sinto antes não me parece uma grande questão quando esses monstros ressurgem. Tenho tentado vencer grandes paradigmas, tenho tentado vencer grandes questões!
Estive numa investida contra as injustiças, estive também em investidas de outras reivindicações. Eu fui até a praça. Domingo de tarde. A cidade parada. Chegaram alguns poucos pra acompanhar, quase nenhum, como os que lerão essa postagem. O resto esteve sem motivo, sem razão que os levassem a se levantar. Toda a gente está contaminada com isso. Esqueceram-se dos dragões. Eu, como disse, não sinto antes o que venho a sentir em instantes de atitude. A adrenalina não vem com a decisão. A decisão está em outro patamar. O que eu carrego é a iniciativa. A vontade de experimentar. Talvez faltou o brilho que me fizesse desejar, mas nem tudo tem um artista que fizesse a comida parecer saborosa como na foto. Na verdade, as coisas que realmente interessam descobrimos tropeçando nelas, quando partimos pra outras. Ficamos no meio do caminho quase sempre, terminamos os pretextos, as atitudes verdadeiras estão perdidas esperando que demos a atenção devida.
(Sávio)
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
A tua calma me saudará - Pablo Neruda
Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.
Pablo Neruda - trecho da poesia 'O Poço'.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Do guerreiro - Robert Musil
A política, a honra, a guerra, a arte, tudo o que há de mais decisivo na vida acontece para lá do entendimento. A grandeza humana tem raízes no irracional. Nem nós, os homens de negócios, agimos por cálculo, como talvez o senhor imagine. Nós - falo, naturalmente, daqueles poucos que se distinguem; os pequenos, esses continuarão a contar os seus tostões - aprendemos a ver as nossas ideias realmente bem sucedidas como um mistério que troça de qualquer cálculo. Quem não amar o sentimento, a moral, a religião, a música, a poesia, a forma, a disciplina, o código cavalheiresco, a liberalidade, a franqueza, a tolerância - acredite, nunca chegará a ser um grande homem de negócios. Por isso, sempre admirei a profissão do guerreiro; (...) todas as grandes coisas dependem das mesmas qualidades.
Robert Musil, in 'O Homem sem Qualidades'
Assinar:
Postagens (Atom)